INTRODUÇÃO

Todos os anos, uma vasta área da América do Sul é atingida por fenômenos meteorológicos extremos, desde os pampas argentinos até as regiões centrais do Brasil. Normalmente esses fenômenos atingem com severidade áreas isoladas e na maioria das vezes, os acontecimentos tem pouca repercussão nos meios de comunicação, principalmente quando as áreas atingidas ficam longe dos grandes centros urbanos. Nos dias atuais, muito se ouve falar em ciclones extratropicais, nevascas e tornados no Brasil e até furacões, mas à poucas décadas atrás, esses fenômenos eram quase que desconhecidos pela maioria das pessoas.
Houve uma época em que quase ninguém acreditava na existência de "tornados", por aqui. As pessoas eram supersticiosas e, de uma certa forma, ignorantes. Quando viam que uma tempestade se formava, com raios e ventania, se fechavam dentro de suas casas, sem se preocupar em saber que tipo de fenômeno estava acontecendo do lado de fora, e os poucos que se arriscavam a ver, quando relatavam o que tinham observado, não tinham como "provar". Eram poucas as pessoas que dispunham de uma máquina fotográfica ou que se lembrasse de fotografar o fenômeno, no momento exato de sua ocorrência.
Aqui no sul, ou mesmo em outras partes do Brasil, qualquer acontecimento climático extremo, que envolvesse nos seus elementos chuva e vento destrutivo, era chamado de "vendaval". Tornados e furacões, eram tempestades que só ocorriam "nos Estados Unidos".
Bem, a tecnologia de hoje permite monitorar, fotografar e filmar a maioria dos eventos meteorológicos em qualquer parte do globo terrestre, e em questão de segundos, esses dados podem ser enviados até os meios de comunicação.
Finalmente: Todos os eventos climáticos extremos que conhecemos hoje, através de imagens ou noticiários, não são de maneira alguma, novidade dos dias atuais. A devastação das florestas primitivas, a poluição, a degradação do meio-ambiente, etc, apenas agravou os efeitos de algo que sempre ocorreu!

Carlos Campos

1/novembro/2012

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

FURACÃO CATARINA

    

          28/MARÇO/2004

   Era noite do dia 24 de março de 2004, quando vi as imagens do Catarina pela primeira vez.   Pela animação das fotos do satélite, mostradas na "previsão do tempo" do JN, dava pra perceber que o "ciclone extratropical" que se afastava da costa do Paraná, era incomum!   Lembro de ter comentado com minha esposa, que o sistema mais parecia um "furacão sem olho"...    Dois dias depois, o "olho" apareceu!

   Quando foi oficialmente anunciada a existência de um furacão, próximo à costa dos estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, muitos não acreditaram que isso fosse possível, uma vez que não existem relatos sobre a ocorrência desse tipo de fenômeno em águas territoriais brasileiras, ou mesmo no Atlântico Sul.   Era algo inédito e completamente fora dos padrões climáticos (conhecidos, até então), e isso deixou muitas dúvidas à respeito do que realmente iria acontecer.   Alguns cientistas diziam se tratar de mais um "ciclone extratropical" bem desenvolvido, desses que se formam ao longo da costa brasileira, após a passagem de algumas frentes frias, e que provocam chuva e ventania no litoral do extremo sul do país.   Outros, afirmavam que era realmente um furacão... O fato é que na noite de sexta feira, 26 de março de 2004, numa coletiva de imprensa convocada pelo Palácio do Governo, o meteorologista Clóvis Corrêa anunciou oficialmente que um furacão estava a caminho e que já havia sido escolhido o "nome":  Catarina!
   
   Com o fenômeno identificado e as autoridades alertadas, iniciou-se um monitoramento 24 h por dia, para avaliar a evolução da tempestade, e à partir disso, decidir que medidas seriam tomadas como prevenção à segurança das pessoas nas cidades costeiras.   Nessa época, minha irmã, morando em Florianópolis-SC, contou que na ilha as pessoas foram aconselhadas a ficar em alerta durante a tormenta, vedando as janelas que ficassem de frente para o Atlântico e principalmente, não sair de suas casas sem necessidade.   Ventou e choveu torrencialmente na Ilha, mas o furacão atingiu as cidades ao sul, na divisa com o estado do Rio Grande do Sul.   

   Na noite de sábado, 27 de março, os ventos começaram a soprar na costa dos estados do RS e SC, aumentando sua força durante a madrugada e atingindo 180 km/h .   As localidades diretamente afetadas em Santa Catarina foram Araranguá, Criciúma, Laguna, Timbé do Sul, Turvo, Ermo, entre outras, enquanto que no Rio Grande do Sul, o município mais castigado foi o de Torres, mas muitas outras cidades registraram ventos com mais de 100 km/h e, no mar, as ondas chegaram a  5 m de altura.   Segundo moradores, foi a madrugada mais longa da história e ninguém conseguiu dormir.   Telhados inteiros foram arrancados e a água invadiu as casas.   Rios transbordaram e árvores centenárias foram arrancadas pela raiz.   No total, 33 mil pessoas ficaram desabrigadas e 40 mil edificações foram severamente danificadas.   As imagens, mostradas na televisão, eram impressionantes.   Foram oficialmente registradas 4 mortes.

   "Nos primeiros minutos da madrugada de domingo, nossa região foi abalada por um fenômeno nunca antes registrado no Brasil: o devastador furacão Catarina, menosprezado pelos inexperientes e teimosos meteorologistas brasileiros, que insistiam em afirmar que era um ciclone "suave", contrariando o alerta e as previsões dos cientistas norte-americanos, acostumados com esses fenômenos.   Com informações contraditórias, a população em geral considerou que "não ia dar em nada".   Não poderia se prevenir de algo que acreditava ser uma "besteira"... e as consequências vieram! "   -Padre Jorge Luiz, de Araranguá_SC

   "Até a hora em que eu estava consciente, o furacão foi terrível... Não tinha explicação, um vento tão forte.   A gente não sabia o que ia acontecer.   Estávamos trabalhando o dia inteiro, na roça, e não tínhamos tempo de ouvir a televisão ou o rádio.   Quando chegamos em casa, já era noite, ouvimos o JN que dava a entender que não havia perigo... Caíram duas árvores em cima da nossa casa e saímos correndo para a casa da vizinha.   Na hora em que o vento parou (olho do furacão), voltamos para casa pra buscar roupa de cama e agasalho.   A árvore que estava em cima da casa, com o vento que voltou, caiu em cima do carro e matou o meu marido.   A partir daí, eu não vi mais nada, porque desmaiei."   -Terezinha da Rocha Quirino, de Araranguá-SC

   "De repente, veio uma enorme calmaria.   A temperatura subiu e tivemos de tirar as blusas.   O céu ficou estrelado.   Formou-se uma sensação estranha de relaxamento e até sonolência.   Uns 40 minutos depois, numa fração de segundos, tudo se tornou um caos.   O vento levou nossas blusas.   Calculamos a velocidade em 180 km/h .   -Emerson Marcelino, Pesquisador do Grupo de Estudos de Desastres Naturais da UFSC/SC. 

   Os depoimentos, acima foram retirados do site:  Nat Brasil, sob o título: "O inesperado furacão Catarina".
   
   Alguns cientistas afirmaram categoricamente, logo após a passagem do furacão Catarina, que eventos dessa dimensão voltariam a se repetir em breve, em decorrência do aquecimento global.   É esperar, pra ver...



FURACÃO CATARINA



RASTRO DE DESTRUIÇÃO DEIXADO PELO FURACÃO CATARINA.




   Fonte principal:   "Nat Brasil"

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